terça-feira, julho 04, 2006

Inclusão Social: Depende de quem?

Como já adquiri certas informações dessa instituição pelos anos de aprendizado na mesma posso assegurar-lhes que a mesma tem como compromisso a inclusão social.
Ao aproximar-se do Colégio Batista fluminense voltei a me sentir nos tempos de infância e constatei que, desde já, o nível educacional da instituição evoluiu muito e acarretado a isso, o empenho dos funcionários ao me atender.
O trabalho de inclusão social do colégio recebe também auxílio do poder público municipal através de bolsas de estudo, não somente para alunos especiais mais para todos, porém, o processo de seleção é feito pela prefeitura.
Chegando as dependências onde esse processo de “socialização” com os alunos é feito constatei que, os profissionais que lidam com os mesmos são de total competência e dão diariamente acompanhamento pedagógico com tarefas multifuncionais dentro e fora da sala de aula.
Em contrapartida, o acompanhamento psicológico é feito com profissionais conveniados a instituição mais com a observação dos profissionais do colégio.
Os professores em sua maioria são formados com cursos oferecidos na própia instituição e se especializam ao decorrer do contato com esses alunos.
Diariamente são atendidas vinte crianças sendo que elas não estudam em uma sala individual, as mesmas estudam em classes normais aumentando assim a interação com os demais alunos.
Nesta escola, há um departamento especializado em serviços sócias e também no controle disciplinar. Tem como cargo de chefia a assistente social Daniele.
DOSS - Trata-se da questão disciplinar com acompanhamento psicopedagógico integrando família-escola no processo de socialização do aluno.
O Colégio Batista Fluminense mostra que não é preciso estar junto ao governo para haver um trabalho seriedade em projetos de caráter social e sim uma dose de boa vontade e disciplina oque, ao meu ver, lá é o que tem de melhor.
Agradecimentos: Departamento de assistência social e coordenação.

texto de Mauricio Galaxe aluno de comunicação social

Violência contra mulheres

Dor que não passa

Na adolescência a vítima S.M.T conheceu um rapaz que estudou juntos.O mesmo sempre demonstrou uma fascinação por ela,depois de algum tempo se encontraram e se relacionaram,e com um ano de convivência ele a estuprou violentamente.
A vitima S.M.T., de 32 anos de idade trabalhava e decidiu a morar sozinha, entrou de férias do trabalho, e foi nessa que ela o encontrou, ele havia se separado da esposa, começaram a conversar trocaram telefones e assim se envolveram, os dias se passaram ele mostrou ser carinhoso e muito dedicado. - Parecia estarmos vivendo um conto de fadas. Afirma a vitima.
Os dias se passaram e ele começou a demonstrar sinais de um homem ciumento, saiam e o mesmo não podia ver ninguém se aproximar dela. Era supervisora de uma empresa, participava de muitos eventos e por isso algumas vezes teve problemas por causa de ciúmes, mesmo assim tentava contornar a situação, e como nunca tinha vivido isso, a principio achava legal alguém se preocupar tanto assim com ela. Com isso foi abrindo mão de muitas coisas-“Errei em fazer isso.” Afirma a vitima. Começou a viver, não a própria vida e sim vivendo em função de outra pessoa, e as coisas foram ficando seria, ela estava ficando perturbada.
Ele sempre pedia para ela abandonar o emprego, começou implicar com os funcionários e a prejudicá-la no trabalho, através disso a mesma começou a reagir e assim os problemas aumentaram. Às vezes precisava passar um pouco do horário do expediente e ele ficava nas esquinas escondido e sempre alguém o via e tinha comentários no outro dia. Daí começaram a ter brigas dentro de casa e a mesma começou a evitar ate de olhar para os lados, tendo isso como um meio de preservar seu relacionamento, e assim não estava, mas vivendo e sim vegetando.
A empresa onde a vitima S.M.T. trabalhava teve problemas em uma filial em outra cidade, e a mesma foi designada a ir para lá. ”Medo” tinha medo se sentia apavorada só em saber que tinha comunicado a ele que iria até lá, mas não tinha outra saída, e quando ele soube disse que era para ela convencer os diretores que não podia ir, a partir daí começou o desespero. Ele pegou um ferro e disse que a mataria, no dia seguinte chegou a pedir que ele saísse da casa dela, por causa disso ele colocou uma faca na garganta da mesma e tiveram uma briga feia, e ele a agrediu violentamente e a ameaçou dizendo que não sairia de casa e se ela sair, ele a mataria a qualquer preço. A partir daí a mesma foi ficando acuada, não dormi, parou de dormir, tinha medo de tudo.
Certo dia ela foi transferida do trabalho e saia de casa às 06 h da manhã e só voltava às 21h30min h. Isso era motivo de pânico, cada engarrafamento era um pesadelo por que ela ficava com medo do que a esperava em casa. As violências foram ficando constantes. Daí a vítima foi à delegacia e fez uma denúncia, passou por todas as humilhações, tendo que fazer exame de corpo-delito. Ele recebeu uma intimação e reagiu muito mal. Fazia todos os tipos de ameaças e sempre pegava no ponto fraco dela, o trabalho. Ligava para a diretoria da empresa, dizia que era um cliente e que tinha sido mel atendido. Pagava as colegas dele para dizer que foi a empresa fazer compras e a supervisora deu em cima do marido dela, entre outras coisas. Por conta disso a vítima teve de expor a vida pessoal tendo que dar explicações e isso para ela era um eterno pesadelo. Teve momentos que a mesma pensou não ter saída e já não conseguia mais desenvolver o seu trabalho e só não foi despedida por que era uma boa profissional. Com isso a vida foi virando uma “bagunça”, chegou a ponto de achar que seria melhor a morte.
Certo dia viajaram juntos para a cidade da vítima para visitar a família. Tiveram uma discussão na estrada e o carro desceu a ribanceira e ela ficou machucada, ele disse que era para ela inventar qualquer coisa, mas não era para contar o que aconteceu, e se a família mudasse com ele, saberia que ela contou alguma coisa. Uma parenta dela ficou intrigada com as marcas no braço e no pescoço, e ai ela não agüentou começou a chorar, e a família entrou em desespero, ela teve que falar, mas implorou para que não falasse nada porque ia se pior para ela, afinal a mesma voltaria para outra cidade e lá viveria só com ele. E a família começou a se preocupar com ela e pedia para que abandonasse tudo e voltasse para casa,mas a mesma afirma que não conseguiria viver longe do trabalho e de sua própria independência e também ela achava que não tinha o direito de envolver as pessoas na vida que ela entrou sozinha,e tinha que saber sair.Por esse motivo escondia da família.Ele a ameaçava dizendo que se alguém da família soubesse,iria partir para a violência,a mesma afirma que não podia permitir nenhum mal para algum parente por conta disso.
Em certa noite um colega a parou no horário da saída e ficaram conversando, e ele chegou agrediu o rapaz, e ao sair do estacionamento jogou o carro em cima do mesmo. Isso a deixou furiosa e chegando a casa foi tirar satisfação e ele a agrediu, depois rançou a roupa dela, colocou uma faca no pescoço e disse que se a mesma não fosse dele não seria de ninguém, e a estuprou violentamente, a mesma reagiu mesmo estando machucada. No dia seguinte foi à delegacia e ficou sabendo que a punição seria simplesmente pagar sextas básicas.
Ela ficou revoltada, entrou em contato com algumas pessoas do morro (bandidos) e perguntou quanto cobrariam para matá-lo. A mesma pagou e estava tudo certo, mas resolveu comunicar com uma pessoa da família e essa mesma a impediu dizendo; que ela seria a primeira pessoa a ser procurada pela policia.
A vitima começou a tomar bastante calmante e começou a ficar bem calma e dopada, e isso a foi deixando bem fria e calculista. Um dia ele entrou de férias e fez uma viaje daí então ela planejou tudo com a família para ajudá-la na mudança, e isso levou dois dias e ela com muito medo que ele voltasse por algum motivo, cada barulho que ouvia no portão da garagem era momento de pânico, mas conseguiu sair, e mudou-se para outra cidade.
E mesmo não estando em baixo do mesmo ele a perseguia, invadiu o apartamento e a machucou. Novamente foi a delegacia, depois se mudou outra vez. Passados dois anos que isso aconteceu, nessa entrevista ela passou muito mal e isso fez com que percebesse que pode passar muito e muito tempo, mas essas feridas jamais se apagarão. Essa dor que fere a moral da mulher não cessara.
- Mas agora é só uma lembrança ruim! Afirma a vítima S. M. T., deixando uma frase: - não podemos perder a vontade de viver!
O fato ocorreu no ano de 2004 na cidade do Rio de Janeiro.

texo de Gisele aluna do 3º periodo de comunicaçao social

sexta-feira, junho 30, 2006

A ponta do pão

Casal aponta o amor verdadeiro como segredo dos seus cinqüenta anos juntos.

Em tempos em que o IBGE aponta que o número de separações se equivale ao de casamentos, nos chama a atenção o testemunho de dona Ana e sr. Domingos. Este simpática casal carioca, há quarenta anos vivendo em Macaé, celebrou no último abril bodas de ouro. Ela 71 anos e ele aos 75, vêem nos cinco filhos, onze netos e dois bisnetos, a maior dádiva destes cinqüenta anos de matrimônio.
Questionado sobre qual seria o segredo para ficarem juntos por tanto tempo, sr. Domingos tem a resposta na ponta da língua. “Só Deus, meu filho”, e a dona Ana mais que depressa completa: “É... Deus e muito amor”.
Apesar da simplicidade, as palavras do casal revelam uma profunda sabedoria: –– Mas é amor de verdade –– completa dona Ana –– não é esse amor que a gente vê em novelas, meu benzinho para lá, meu amorzinho para cá.
–– É como disse o padre na nossa missa de cinqüenta anos: “amar quando a gente é novinho, quando ta tudo durinho, tudo no lugar é muito fácil. Difícil é quando se tem que dar a vida pelo outro” –– diz sr. Domingos, dando um exemplo maravilhoso –– “Eu casei com 25 anos. A coisa que eu mais gostava de comer na vida era ponta do pão. Na primeira manhã que acordei do lado de Ana, levantei cedo, comprei pão e cortei a ponta para dá para ela. Fiquei vinte anos sem comer o que mais gostava para dar isso a ela”.
–– “Até que um dia ele descobriu que eu não gostava da ponta do pão” –– a interrompe risonha ––“fiquei vinte anos comendo aquilo porque achava que o Mingo também não gostava”.
Quando perguntamos se passaram por crises e se nunca pensaram em se separar, dizem que como todo casal, passava também por momentos difíceis; mas quando se casaram não imaginava um mar de rosas, ou pelo menos que esse mar não tivesse espinhos. “Eu não casei para ser feliz”, diz sr. Domingos, “mas para fazer a Ana feliz”.
No folheto da missa que celebrou as bodas de ouro, vemos aquilo que foi o matrimônio de Ana e Mingo traduzidos nas palavras de Bento XVI sobre o casamento: “O amor EROS, que leva um homem e uma mulher a se casarem, unindo-se numa só carne, regado por Deus, se torna ao longo do tempo, no amor AGAPE, que é a profunda expressão do amor doação, que ama e se entrega sem reservas”.

Texto do aluno Patrick Frossard Giviez aluno do 3º período de comunicação social

sábado, junho 24, 2006

Cidadania: Uma possibilidade de recomeço Projeto desenvolvido dentro do presídio dá oportunidade aos detentos de começar uma nova vida

Em agosto do ano passado um grupo começou a desenvolver no presídio Carlos Tinoco o projeto “Resgatando a cidadania”, que agora passou a ser chamado de “vôo livre”. O objetivo é desenvolver com os presos a espiritualidade, artes, música e esporte. São 180 presidiários atendidos nesse projeto.
Os reflexos são imediatos. Os presos estão com mais auto-estima e esperança, descobriram sua criatividade, o valor do que fazem e o que são capazes. Além disso, eles estão descobrindo um caminho novo porque todos tem um sonho de mudança na vida, mas se sentem marginalizados diante da sociedade. Através desse projeto, eles estão recebendo ferramentas de trabalho para estarem incluídos na sociedade quando saírem da prisão.
O movimento realizado pelo grupo lembra o poema de Vinícius: operário em construção. Lá, o que se produz não são prédios ou produtos para supermercados e lojas. São obras de arte como à reprodução de frutas tropicais e paisagens que retratam o estado de espírito.
Só homens fazem o trabalho. Todos cumprem pena na penitenciária. Gente como André de Souza, que nunca tinha mexido antes com artesanato, hoje é capaz de transcender à vida dura de um presídio para criar obras como este quadro. Delicadas conchas e sementes, formam uma natureza morta.
O símbolo do projeto é uma águia, que para eles significa que a transformação é possível. Num sistema carcerário que pouco consegue fazer pela recuperação de quem paga por graves erros cometidos no passado, a meta do projeto, a idéia da renovação possível, é algo a que apegar.

Texto de Alessandra Ribeiro de Azeredo aluna do 3º período de comunicação social

Igualdade para todos

“Somos todos diferentes. O que nos torna iguais é o direito de viver livre na sociedade”. Esse é o lema dos alunos excepcionais do APOE (Associação de Proteção e Orientação aos Excepcionais).
Após uma conversa com a assistente social Altaíris do APOE Campos dos Goytacazes me explicou como é feita a inserção dos alunos portadores de necessidades especiais no mercado de trabalho. De acordo com a Lei 7.853/89, art. 36, que enfatiza: “a empresa com cem ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% a 5% de cargos com beneficiários da Previdência Social, reabilitados ou com pessoa portadora de deficiência habilitada”.
“Nossa meta é proporcionar aos jovens como deficiência auditiva e mental a oportunidade de qualificação, desenvolvendo-lhes competências e habilidades que permitam cumprir as tarefas exigidas às funções de empacotador de supermercados e auxiliar administrativo promovendo, assim, sua autonomia e inserção no mercado de trabalho” diz Altaíris.
Ela nos conta que é um projeto da APOE com o Conselho Municipal de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, acreditou nesses jovens e mediante esse projeto que esta custeando sua qualificação com a contratação de pessoal, compra de material permanente e de consumo para a prática da aprendizagem.
Esse projeto de inserção de portadores de necessidades especiais existe no mundo há quinze anos, nos Estados Unidos e na França e que no Brasil existe apenas há cinco anos, e confessa que ainda estão deixando muito a desejar, pois não são os todos os lugares que empregam especiais.
Atualmente está com quarenta e três alunos no supermercado SUPER BOM, um aluno no supermercado CHEBABE e dois alunos no CEFET.
Através desse trabalho os jovens portadores de necessidades especiais, poderão sustentar-se e/ou contribuir na renda familiar, minimizando os estados de precariedade em que muitos vivem com suas famílias, proporcionando-lhes dignidade e cidadania.
Esse projeto utiliza a prática de visitas a empresas, shoppings, teatro, cinema, livraria, supermercado e outros, com a finalidade de evidenciar a vida social a que esses jovens estarão submetidos quando já estiverem ocupados seus justos lugares na sociedade.

Texto de Daniele da Conceição aluna do 3º período de comunicação social

quarta-feira, junho 21, 2006

Transporte Coletivo em Campos dos Goytacazes

Pauta - Transporte Coletivo em Campos


O transporte coletivo ainda é um fato não resolvido. O prefeito de campos e câmara de vereadores, juntamente com entidades representativas, decidem nesse segundo trimestre o problema do transporte ilegal, a lei do passe livre e o aumento a tarifa de ônibus da cidade de Campos. Acompanhar o desenrolar das negociações entre topiqueiros, cooperativa e empresários de ônibus, juntamente com o prefeito Mocaibe e vereadores. Ouvir a posição final. Ouvir os populares.


Que o transporte coletivo já vem precário há muito tempo, disso sabemos, mas que alguma coisa foi feito para modernizá-lo, isso ainda aguardamos. Como uma bola de neve crescente, o caos foi-se generalizando culminando num acréscimo de transportes alternativos desenfreados e de ônibus mal aparelhados. Resta agora ao poder público uma decisão. Mudar, fazendo-se cumprir as leis, ou continuar na omissão.
Na cidade de Campos, são das l4 empresas de ônibus, uma cooperativa de transportes alternativos (Campos Cooper), uma associação de transportes alternativos, e mais os topiqueiros clandestinos em lotadas, com carros de passeios, que fazem o transporte coletivo de Campos. Por outro lado, boa parte desse transportes é destinado a estudantes, idosos e deficientes. Segundo a estimativa da Emut, 100 mil pagantes usam transportes diariamente, e 48 mil, gratuitamente todos dias. Destes, 70% são estudantes, 25%, são idosos, e 5%, são deficientes. A maior parte dos estudantes, 33.600, que usam o ônibus, 16.l mil são estaduais.

Resta agora, saber o desenrolar e o final desta história. Tanto os donos de empresa de ônibus, como os dos transportes alternativos, pressionam a Emut. A Emut ora fiscaliza, ora não. O impasse continua.
O representante das empresas de ônibus, Gilson Menezes, defende a erradicação do transportes alternativos irregular, não podendo coexistir ambos, reajuste das tarifas, custeio da gratuidade pela PMCG.que ainda não são ressarcidos pelo o executivo, fim do fundo de trânsito, que arrecada 3% de cada empresa desde 96, além de 3% de ISS, e fim de lotada de carro pequeno. Até porque as vans não levam estudantes, idosos e deficientes.
Já os representantes de transportes alternativos alegam que as empresas de ônibus não atendem bem a cidade não indo aos lugares aonde eles vão, não tendo itinerário a toda hora deixando um intervalo muito grande entre ele. Quanto aos estudantes, idosos e deficientes, uns alegam que em levam sim e outro que a van carrega poucos passageiros, por isso não pode levar como os ônibus.
O presidente da Emut, Ronaldo Linhares, declarou que há um projeto de lei enviado pelo executivo que prevê a criação do serviço de transportes alternativos complementar interdistrital e urbano de passageiros. Este projeto prevê que o veículo será utilitário com a capacidade de no mínimo 7 pessoas e no máximo de 16. Entretanto, é contestado pelo Setranspas, pois, as empresas de ônibus já mandaram 100 funcionários embora nesse período, enquanto que os topiqueiros mantêm a mesma quantidade correndo suas linhas. Cada ônibus emprega 6 funcionário e a van, não. Já o diretor técnico de Emut, Jonas Mendes, alega que há concorrência ilegal – param em ponto de ônibus. Quanto as vans apreendidas, alegou que Campos não têm depósito municipal para veículos ficarem, apenas pagam multa, e são soltas.
Mas a verdade de tudo isso é que tanto as empresas de ônibus quanto as vans erram por não atender bem aos estudantes, idosos e deficientes. As empresas, não possuem, há muito tempo bons ônibus, bem como atendimento. Resultado, o transporte ilegal ocupa boa parte desta lacuna. Já o poder executivo, falha em não conceder incentivos fiscais dignos de uma cidade como a nossa. Há no mínimo uma omissão. Falta planejamento, sensibilidade e respeito para com a população. Por isso há uma quebradeira dos empresários, sucateamento dos ônibus e um avanço desordenado do transporte alternativo. Agora, difícil é ajeitar esse caos. Quem fará isso? Como? São perguntas interessantes, uma vez que ninguém tem interesse.
O intrigante é que há indícios, tanto os poderes públicos, como a população parecendo que vêem com bons olhos o transportes alternativos, embora seja ilegal e nocivos a nossa população. Com isso os cofres públicos são lesados por não poder arrecadar impostos e que paga os impostos, também, são lesados. . Se analisarmos pelo prisma dos prós e dos contras podemos chegar a conclusões um tanto inusitadas. Vejamos:

OS PRÓS DO TRANSPORTE DE ÔNIBUS E VANS:

Ônibus

É mais seguro, leva mais passageiros,
Leva estudantes, idosos e deficientes,
Tem profissionais treinados e

Vans

É mais rápido, tem mais conforto, leva em casa
em alguns casos tem vans toda hora, pára em
qualquer lugar


OS CONTRAS DO TRANSPORTES DE ÔNIBUS E VANS:

Ônibus

É lento para chegar, não tem com-
forto, só pára no ponto e pára toda hora.


Vans

Poucos motoristas são treinados,
Pára em ponto de ônibus e fora dele,
Não leva estudantes, idosos e dificientes,
Empega pouca gente


Outro sim, viajando e entrevistando os passageiros de ônibus e vans pude notar que, boa parte prefere as vans, principalmente, quando estam com pressa, pois numa viajem feita em 50 minutos por um ônibus, a van faz com 30.

Entrevistando aos populares nós temos uma visão clara como pensam:
Repórter: Como você vê o serviço prestado pelas empresas de ônibus de nossa cidade?
Tereza: Com descaso e uma falta de respeito para com os passageiros. Os ônibus estam velhos e com um péssimo atendimento.
Repórter: O que você acha do transportes alternativo? Você é contra ou a favor?

Márcia: Sou a favor, porque são mais práticos, mais raptos; e as empresas de ônibus abusam muito da concessão que têm. Enquanto, no ônibus levo 50 min., na van leva 30 min.

Repórter: Mas, você não acha que as vans se utilizam um transporte ilegal e pirata, e que usá-las não estaria contribuindo com a ilegalidade?

André: Acho que não. Todo mundo precisa trabalhar. Inclusive eles. Eu ando de van porque preciso chegar a tempo ao meu trabalho. Sou trabalhador. Todo mundo tem direito de trabalhar.
texto de David N. Silva aluno do 3º período de comunicãção social

História do projeto Tamar do norte fluminense

Criado em 1980 com a chancela do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) para afastar o risco de extinção das tartarugas marinhas, o Projeto Tamar tem a Petrobras como patrocinador oficial desde 1984. O projeto atua ao longo da costa brasileira e mantém 21 estações de proteção desses quelônio de vida longa, em mais de mil quilômetros de praias no Brasil. Os trabalhos na região norte fluminense foram iniciados em outubro de 1992.
Tamar está presente na Bacia de Campos com uma base de pesquisa no município de São João da Barra, responsável pelo monitoramento de um trecho de 160 quilômetros, cobrindo diariamente desde a divisa com o Espírito Santo até Carapebus. Até 2002, a área protegida era de 53 quilômetros de litoral entre Atafona e o Farol de São Tomé. Com o aumento da área trabalhada, espera-se ampliar o número de desovas protegidas de 350 para 600 desovas por temporada, ultrapassando a casa dos 36 mil filhotes devolvidos ao mar, por ano.
O Tamar não colabora apenas para o equilíbrio do ecossistema marinho nos municípios de abrangência da Bacia de Campos. Envolve a participação de pescadores, familiares e moradores da região norte fluminense. Além de gerar empregos diretos, o Tamar desenvolve um intenso programa de educação ambiental e ação social e comunitária, promovendo a melhoria da qualidade de vida e criando oportunidades de trabalho e geração de renda para as comunidades costeiras.
A escolha desta palta leva em consideração o jornalismo ambiental, ja que o projeto tamar existe a tanto tempo na região Norte Fluminense e passar por varias dificuldades financeiras, que levaram ao fechamnento parcial da base da praia do Farol de São Tomé, no municipio de Campos dos Goytacazes.
Algumas dificuldades apontadas pelos organizadores do projeto Tamar em São João da Barra, são a falta de conhecimento e conscientização da população e vizitantes da região de desova, incentivo a escolas e moradores pelo projeto, o que segundo eles dariam o fôlego que esta faltando, a participação de toda a sociedade é muito importante para o sucesso do projeto. Mesmo com todas as dificuldades encontradas pelos biologos, o projeto é alvo de elogias pelos mais diversas camadas da sociedade e ja tem planos para se espandir para outras cidades do litoral Norte do Rio de Janeiro, como Macaé e Carapebus.

Texto de Victor Hugo aluno do 3º período de comunicação social

Descumprimento

Um ambiente “cor de céu”.Um aroma de café.Distanciamento de uns, acolhimento por outros.E este ambiente que me deparo.Que tem a cor azul em quase tudo, nas paredes, na janela, nas flores artificiais e na bandeira do grupo, exceto nas cadeiras “cor de sol”.Um recinto com um banheiro, uma área para os encontros do grupo e uma suposta área para se preparar um café.Não vi essa suposta cozinha, contudo o aroma do café que estava sendo preparado, estava naquele espaço.Cinco homens e somente a minha presença feminina.Um jogo de observação.Eu observo-os, mas eles também estão a me observar.
Inicia-se a reunião do grupo.O líder convoca a todos a realizarem a oração.Todos se levantam e fecham os olhos.Todos, como em um coro pronunciam as mesmas palavras.
Menos eu.Momento de reflexão diz o líder e todos ficam em silêncio.Sentem-se, ele ordena e todos cumprem.Começa a leitura de trechos de um livro, que a matriz do grupo publica, e que orienta os grupos existentes.
É lido trechos que relata como funciona o grupo. E os passos que os membros, devem seguir para terem uma recuperação total. É dado espaço para o relato das experiências de alguns membros.O líder convoca alguns componentes.
Uns relatam o que mais foi tocante em sua vida, seja pelo mal que o vício lhe fez ou pelo bem que o grupo lhe faz.Uns tentaram com sua fala incentivar aos outros membros a continuar no grupo.Outros comentaram situações do seu dia-a-dia.
È dado um momento de intervalo.Aquele aroma do café, agora está concretizado em pequenas xícaras e acompanhado de biscoitos.Uns saem, outros poucos ficam.Cigarros são acessos.Grupos de conversas se formam.Outros se isolam.
O líder retorna e recomeça a reunião.Outros nomes são ditos.Novas experiências divididas.Relatos sobre coisas banais.Sobre o grupo.Sobre as possíveis causa do alcoolismo.Fala-se muito sobre a nova vida sem o vício. Termina a reunião.Despeço-me e sigo meu caminho. Penso em tudo que presenciei.Penso.E repenso novamente.Como relatar isso?Como transcrever para o papel?Por que o que eu presenciei não poderia ser reproduzido.Por uma simples frase: “Tudo o que você vê aqui, quem você vê aqui e o que você ouve aqui. Deixe aqui quando sair”.Exposta naquela sala de reuniões, como um lembrete para aqueles que estiveram naquele encontro dos Alcoólicos Anônimos (AA): E infelizmente, esse compromisso eu não cumpri. Nessas poucas linhas eu já relatei demais o que presenciei naquela reunião.

Texto de Mônica Da Silva aluna do 3º período de comunicação social

terça-feira, junho 20, 2006

Profeta Gentileza

Quando escolhi o tema do trabalho, achei que seria muito difícil, mas depois percebi que falar de pessoas que se preocupam com o próximo é muito fácil do que imaginei.
Vou contar um pouco da vida de Jóse Datrino o Profeta Gentileza.
Sua Infância, com mais nove irmãos, teve muito trabalho, onde lidava diretamente com a terra e com os animais. Para ajudar a família, puxava carroça vendendo lenha nas proximidades. Desde cedo aprendeu a amar, respeitar e agradecer à natureza pela sua infinita bondade.
No campo ensinou a amansar burros para o transporte de carga, como profeta Gentileza, dizia “amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento”.
José Datrino era diferente, aos doze anos de idade, passou a ter premonições sobre sua missão na terra, onde acreditava que um dia, depois de constituir família, filhos e bens, deixaria tudo em prol de sua missão. Este comportamento causou preocupação em seus pais, que chegaram a suspeitar que o filho sofria de algum tipo de loucura, chegando a buscar ajuda em curandeiros espíritas.Já adulto aos vinte anos no Rio de Janeiro, casou com Emi Câmara com quem teve cinco filhos. Começou sua vida de empresário com um pequeno empreendimento na área de transportes, onde fazia fretes para o sustento da família. Aos poucos, o negócio foi crescendo até se tornar uma transportadora de cargas sediada no centro da cidade.A vida passa e surge o profeta Gentileza, no dia 17 de dezembro de 1961, na cidade de Niterói, com os seus 44 anos, houve um grande incêndio no circo "Gran Circus Norte-Americano", onde foi considerada uma das maiores tragédias circense do mundo, que matou mais de 500 pessoas, a maioria crianças, na antevéspera do natal, seis dias após o acontecimento, José acordou alucinado ouvindo "vozes astrais", segundo suas próprias palavras, que o mandavam abandonar o mundo material e se dedicar ao mundo espiritual.
O Profeta pegou um de seus caminhões e foi para o local do incêndio, plantou jardim e horta sobre as cinzas do circo em Niterói, local onde um dia foi palco de tantas alegrias, mas também de muita tristeza, mas foi sua morada por quatro longos anos, José Datrino incutiu nas pessoas o real sentido das palavras “Agradecido” e “Gentileza”. Foi um consolador voluntário, que confortou os familiares das vítimas da tragédia com suas palavras de bondade. Naquele dia passou a se chamar "José Agradecido", ou simplesmente “Profeta Gentileza”.Após deixar o local que foi denominado com o nome de “Paraíso Gentileza”, o profeta Gentileza, começou a sua jornada como personagem andarilho, que a partir dos inícios de 1970 percorreu toda a cidade, era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, nos trens e ônibus para fazer a sua pregação. Espalhando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Aos que o chamavam de louco, e ele respondia: - "Sou maluco para te amar e louco para te salvar".Gentileza não está entre mais entre nós mas deixou sua marca, os murais.A partir de 1980, escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju que vai do Cemitério do Caju até a Rodoviária Novo Rio, numa extensão de aproximadamente 1,5km. Ele encheu as pilastras do viaduto com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar da civilização. Durante a Eco-92, o Profeta Gentileza colocava-se estrategicamente no lugar por onde passavam os representantes dos povos e incitava-os a viverem a Gentileza e a aplicarem Gentileza em toda a Terra.Citação: “Gentileza Gera Gentileza”.Após sua morte em 29 de maio de 1996, aos 79 anos, faleceu na cidade de seus familiares, onde se encontra enterrado, no "Cemitério Saudades". Com o decorrer dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo, e mais tarde cobertos com tinta de cor cinza. Por meio da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, organizou o projeto Rio com Gentileza, que teve como objetivo restaurar os murais das pilastras. Começaram a ser recuperadas em janeiro de 1999. Em maio de 2000, a restauração das inscrições foi concluída e o patrimônio urbano carioca foi preservado.Hoje o Rio de Janeiro olha para as pilastras, já restauradas com um olhar de sabedoria, de sermos no mundo todo um povo gentil, nem tanta violência, corrupção, abandono faz com que nos desanime e que em 2005 fomos considerados o povo mais gentil do mundo. Que pelo pouco tempo que José Datrino o profeta Gentileza passou por aqui, ele foi capaz de mostrar que a gentileza destrói obstáculos e diminui a violência.
Pra finalizar deixo a homenagem que Marisa Monte fez para o Profeta com a música Gentileza.

Apagaram tudoPintaram tudo de cinzaA palavra no muroFicou coberta de tintaApagaram tudoPintaram tudo de cinzaSó ficou no muroTristeza e tinta frescaNós que passamos apressadosPelas ruas da cidadeMerecemos ler as letrasE as palavras de GentilezaPor isso eu perguntoÀ você no mundoSe é mais inteligenteO livro ou a sabedoriaO mundo é uma escolaA vida é o circoAmor palavra que libertaJá dizia o Profeta


Texto de Derval Junior aluno do 3º período de comunicação social

Entrevista: realizada na Associação Vidamor

A Associação VIDAMOR é uma entidade de utilidade municipal sem fins lucrativos, que vem dado sua contribuição à comunidade campista (regiões norte e noroeste) no que se refere ao tratamento da dependência química de adultos, crianças e adolescente do sexo masculino, objetivando a recuperação dos mesmos. Sendo que este trabalho consiste em educa-los e trata-los, através de terapia ocupacional, dinâmica de grupo, palestras, dentre outros recursos. Com ações que visam a restauração dos vínculos... uma reinserção social.

Missão: a entidade tem como missão: Contribuir para a tranqüilidade e melhoria da família e do dependente químico, incentivando-o a passar pelo processo de recuperação e mantê-lo em abstinência.
Visão: a visão da entidade é também contribuir par a tranqüilidade e melhoria da família e do dependente químico, valorizar a vida através de projetos, na área de prevenção e tratamentos em todos os segmentos da sociedade; ter a família como colaboradora no processo de tratamento.

A VIDAMOR é uma comunidade terapêutica cristã, localizada em Campos dos Goytacazes, fundada em 11/07/1985, na localidade de Ibitioca, que tem o objetivo de recuperar dependentes químicos. A entidade foi fundada pelo Sr. Luiz Marcelo Amaro Almeida que após ter se recuperado em uma entidade terapêutica em Minas Gerais, sendo morador em Campos, e não havendo nenhuma em sua cidade, nasceu o grande desejo de implantar uma, e criou a VIDAMOR, cujo programa terapêutico cristão baseia-se nas áreas mais importantes do indivíduo: Corpo, Alma, Espírito.
A VIDAMOR oferece à comunidade um tipo de tratamento:
- Residencial – onde os pacientes ficam internados pelo período de 9 meses, Assistidos por uma equipe dedicada de monitores e responsáveis por diferentes terapias (individual, em grupo e ocupacional), procura-se oferecer aos jovens a oportunidade de uma reestruturação de vida, baseada nos valores e ensinamentos da Palavra de Deus.
Quando o paciente e atendido pela equipe do VIDAMOR, e recebido de braços aberto.
- Justificativa da preposição: A entidade tem consciência da dimensão do problema bem como do limite de atuação. Desse jeito relatam, estarem certos de que algo tem que ser feito para o avanço e os prejuízos causados pela dependência química.
Existem poucas iniciativas nessa área e menos ainda são os recursos disponíveis e dificulta em muito o atendimento das pessoas necessitadas. A VIDAMOR se propõe a esforçar-se para ter um maior índice de tratamento do dependente químico e promover reiserção social.
- Tratamento: Internação em sitio/chácara por período máximo de 09 (nove) meses.
Equipe Multiprofissional: A equipe multiprofissional é composta de:
Ø Administrador Interno
Ø Coordenador
Ø Assistente Social
Ø Monitores
Ø Conselheiro em dependência química
Ø Técnica de enfermagem
Ø Psicóloga
Ø Professor
Ø Técnico Agrícola
O uso irregular de drogas, com certeza tem sido um dos maiores problemas da atualidade e causador da desestruturação do indivíduo e suas relações provocando prejuízos de natureza a bio-psico-social em larga escala. E o Município de Campos e suas regiões, semelhante ao restante do pais também enfrenta graves problemas em relação ao uso indevido de drogas e álcool.
O prejuízo causado pelo uso de drogas e do álcool e seus reflexos diretos e indiretos são impossíveis de serem mensurados. Preocupados com esta situação, os profissionais da associação VIDAMOR, lança-se a campo na luta junto com outros parceiros (contribuidores) com o objetivo de tratar o dependente de álcool e drogas. Partindo do ato que cometeu, como medida imposta pela autoridade recupera-lo e promover sua reinserção social.

- Entrevista feita a um jovem ex-dependente químico, que se recuperou na Associação VIDAMOR:

Nilson Rodrigues Sobrinho
Natural de Minas Gerais
Idade 38
3 filhos
A história deste jovem não é diferente dos demais que se perdem na vida sem opção e recursos. Aos 10 anos de idade iniciou no mundo das drogas, fazendo uso do tabaco e inalantes. Durante suas andanças conheceu artistas de escultura de areia onde teve maior envolvimento com drogas e à partir daí acreditava ter condições de administrar sua própria vida onde passou á viver como hippe. A sua escolha de vida o levou a conhecer parte do Brasil (como os estados de Mato Grosso, Goiás, Acre, etc...) e outros países (Chile, Bolívia e Venezuela). Ao chegar no estado do Rio de Janeiro, na cidade de Campos dos Goytacazes continuava a morar nas ruas onde passou por situações que marcaram sua vida. Numa noite dormia próximo ao Trianon (Teatro) onde foi surpreendido por alguns homens que o abordaram e covardemente deferiram nele cinco tiros à queima roupa, ficando gravemente ferido sendo socorrido por bombeiros ficando com graves complicações clínicas. O jovem foi levado para o HFM (Hospital Ferreira Machado) onde permaneceu por dois meses e meio, onde teve a oportunidade de refletir como estava sua vida e que chegou ao fundo de poço, ou seja, longe da família, sem amigos, sem recursos e até mesmo sem roupas. Durante sua permanência no hospital teve o prazer de conhecer o amor de alguém que se preocupa com pessoas na sua situação, que além de não ter o que oferecer são dependentes de tudo. Este amor é manifestado através de pessoas (Lucrecia e Patrícia) que conhecem a essência deste sincero e expressivo amor; JESUS CRISTO. Estas pessoas movidas por este amor conhecem e passam a dedicar atenção e carinho para com este jovem. Á partir deste momento começa uma nova história em sua vida onde suas carências estavam sendo supridas. Em conversa o jovem fala de sua dependência das drogas e é perguntado se deseja se tratar, responde que sim. Ao receber alta, é levado para a Associação Vidamor onde passa por um tratamento que dura um período de nove meses, cumprindo com êxito e bom comportamento. Como resultado, recebe proposta para trabalhar na Associação, aceita e está até hoje ocupando o cargo de monitor, ajudando outros pacientes e falando deste amor que cura, liberta e transforma; o amor de JESUS CRISTO.

A entidade tem consciência da dimensão do problema bem como do limite de atuação. Por isto estão certos de que algo tem que ser feito para o avanço e os prejuízos causados pela dependência química. Hoje em dia ainda existem poucas iniciativas nessa área e menores são os recursos disponíveis e dificulta em muito o atendimento das pessoas necessitadas.
Todos estes relatos podem parecer muito, mas a luta é muito grande e precisamos como cidadãos lutar todos os dias; para que outros jovens não se tornem vítimas nas mãos das drogas. Participe, colabore, vivos intensamente cada momento e você colherá o melhor. O que você plantar você colherá.


Texto de Cátia aluna do 3º período de comunicação social

Brasil

Não sou adolescente revoltado viciado em anestesia e muito menos quero sair por ai com minha “metralhadora cheia de magoas” querendo atingir a todos, mas é impossível fechar os olhos e colocar o fone nos ouvidos e fingir que não esta acontecendo nada no país, mais precisamente no cenário político.
O que presenciamos nos anos de 2005-2006 no planalto central foi uma brincadeira de primo e prima em cima da cama, ou melhor dizendo, foi uma puta de uma sacanagem. Mais de duzentas pessoas envolvidas no caso do mensalão e nem cem pessoas serem punidas é o cumulo.
Um dia quando acordei lá estava ele na CPI (Caras de paus impunis) o grande Roberto Jéferson falando de tudo e de todos, contando do que viu ate do que não viu. Pronto estava dada a largada para o festival de marmotas e baixaria no congresso.
O próprio me aparece com o olho rocho dizendo que caiu da escada, parece ate criança contando vantagem pra cima do outro amigo "olha, meu olho ta rocho mas foi eu que bati com olho na mao dele" vixi caiu da escada? Ta bom. O outro com cem mil dólares na cueca, imagina o tamanho do bilao desse senhor, quase nada né pra caber tanto dinheiro. A dançarina Ângela Guadagnin que logo após a absolvição de seu colega de partido mostrou todo seu talento. E o tal do “valerioduto”,por onde passava toda "ninharia" de dinheiro desse esqueminha, a se eu consigo unzinho desse aqui pro meu bairro, não teria mais problema nenhum.
Eu tinha tanta coisa pra dizer sobre o mensalão mas não, não vou continuar nisso, não quero me lembrar desses fatos cômicos que tive a honra de presenciar pela minha tv de 15 polegadas que pega maaaaaaaaaaaaaaaal caoitada, mas pega, ela que infelizmente me proporcionou tais emoções.
Mas ta bom entao, eu sou brasileiro, eu gosto de falar mesmo como diria um professor meu eu tenho “zelo, zelo, zelo” a esqueci agora, mas em melhores palavras eu sou fofoqueiro. Mentira eu to brincando não é fofoca não eu só queria deixar uma passagem rápida e direta, onde esta o nosso presidente nisso tudo? Ah não me perguntem isso porque nem ele sabe onde ele esta, ainda deve esta curtindo a nova sensação de ser eleito presidente de uma nação, a sensação de um proletariado ter chegado lá, ta parecendo até homem quando recebe a noticia que vai ser pai, ai vem com aquela historia de que a ficha não caiu, mas e ai Lula a sua ficha caiu ? É, seria legal se ele escrevesse um livro de auto-ajuda de repente quem sabe ate eu posso chegar lá já pensou “Paulo Roberto presidente do Brasil” porra como eu adorar, viajar e beber cachaça, pois esses seriam os ensinamentos do glorioso Lula em um livro chamado “Não desista nunca, beba ate o ultimo gole”.
Parando com o sarcasmo eu queria agradecer aos políticos de minha região ( aquela cidade do interior do Rio de Janeiro onde houve aquela eleiçao, eleiçao? Nao uma coisa parecida com eleiçao, mas que tava parecendo mais votaçao pra representante de turma, mas nem nisso tem tanta trapaça) e que graças a eles eu estou numa faculdade com uma bolsa de 80% fazendo um curso que eu sempre quis, agora o resto do mundo que se foda eu to fazendo o meu futuro e o resto das pessoas que se virem. (nossa esse individualismo humano é que me assombra).

texo de Paulo Roberto aluno do 3º período de comunicação social

Invasões de terra e injustiças morais

O conflito agrário em Campos não pode continuar ignorado pelo governo. Enquanto as autoridades dormem, proprietários rurais e trabalhadores travam uma guerra que pode atingir proporções incontroláveis.é o que esta acontecendo no Acampamento João Batista , localizado em Rodagem no município de Carapebus com aproximadamente 250 acampados entre homens , mulheres e crianças.
Basta ao incra decretar uma terra improdutiva para que os sem-terra a ocupem, a invadam como é o caso de muitos acampados de Rodagem, eles estão a quase dois anos a espera de terra como revela seu José Antônio da Silva, e nos revela ainda como funciona todo processo para se conseguir um pedaço de terra, ele possui casa própria assim como a maioria que estão na fila, muitos deles são pessoas de grandes poder aquisitivo, políticos, fazendeiros, e até comerciantes que acabam usando pessoas humildes na intenção de adquirir terra, pois eles afirmam que essa briga toda esta no fato dessas terras serem terras produtivas. Mais como afirma seu José Antônio que também só entrou nessa briga com os acampados no intuito de se conseguir um pedaço de terra onde ele possa plantar, já que existem tantas pessoas de posse querendo mais e mais, então ele pensou nada mais justo do que se tentar conseguir também, ele nos revela que cada pessoa que esta nessa luta terá direito a 03 (três) hectares de terra, esse processo de espera pela terra para pessoa que fez sua inscrição e que não pertence ao movimento sem terra funciona da seguinte forma.
É realizado um cadastro contendo nome, CPF, toda documentação de cada interessado, e nessa lista essas pessoas ficam sendo observadas a cada dia, pois existem regras no acampamento que é fiscalizada a todo momento pela líder que acompanha todo desempenho de cada pessoa seja no comportamento , trabalho voluntariado, organização, pois tudo isso conta ponto e ajuda no processo para quem quer obter terra.
.José Antônio da Silva nos revela ainda que no acampamento existe uma creche para crianças de 03 (três) a sete anos e cada pessoa que trabalha como voluntariado nessa creche ganha pontos, por exemplo, 03 (três) horas de serviço voluntário corresponde á doze pontos, cinco horas de serviço corresponde a 16 pontos, outro exemplo bastante interessante são os alimentos que são distribuídos para os sem terra , pois o governo colabora apenas com um sacolão mensal para cada acampado e neste sacolão possui apenas (arroz, feijão, fubá e macarrão) se as pessoas inscritas quiserem contribuir seja com carne, alho, café, produtos de limpeza, qualquer coisa que não tenha na cesta básica doada pelo governo, já ajuda no somatório dos pontos pela busca para obtenção de terra, pois as pessoas que conseguirem mais pontos conseqüentemente tem mais chances de conseguir a terra mais rápido, se as pessoas quiserem plantar nessa terras também podem , desde que deixem 20% (vinte por cento) do que plantou para os acampados.O que tenho visto nos assentamentos é a pobreza, a indigência se alastrando pelo nosso interior, diz seu José Antônio, por isso é que acho injusto o fato de se abrir exceção e prioridade para pessoas de fora que não fazem parte desse movimento entrar na disputa por um pedaço de terra, mais como ninguém faz nada continuo nessa disputa.

Texto de Marcela Albiaes aluna do 3º período de comunicação social

Arquivo Público Municipal – patrimônio histórico esquecido

O Arquivo Público Municipal de Campos dos Goitacazes foi criado com a finalidade de atender as necessidades de uma sociedade organizada que pleiteava há décadas a criação de uma instituição que fosse capaz de subsidiar a tomada de decisões do poder público bem como a preservação de registros históricos.
Criado em 2001 pela lei municipal nº 7.060 e inaugurado em 28 de março de 2002, resultado da parceria do poder executivo municipal e da UENF, o arquivo atende também as necessidades da sociedade, universitários, pesquisadores e visitantes.
Também conhecido como Solar do colégio, nome dado na época por ter sido um colégio jesuíta, o Arquivo Público Municipal possui alvenarias de grossa espessura e seus cômodos internos bem amplos, típicos de casarões de antigas fazendas da época da escravidão.
Para atender às necessidades de seus visitantes e estudantes, o Arquivo Público Municipal possui funcionários da rede municipal e estudantes universitários bolsistas da prefeitura.
A todos aqueles que se encantam com a beleza do Solar do Colégio e reconhecem a importância de se preservar tão valioso patrimônio histórico, construção jesuíta do século XVII, de referência local e nacional, o Arquivo Público Municipal encontra-se localizado na Rodovia Sérgio Viana Barroso 3060- Goitacazes, aberto para visitas de 08:00 as 17:00 hs. O visitante encontrará como guia estudantes universitários que se encontram devidamente preparados para a apresentação e também qualquer esclarecimento da história de nosso município.
É uma pena que tamanha obra de arte não seja de conhecimento de todos e até mesmo esquecido por aqueles que já conhecem. Um grande fator que colabora com essa evasão é o difícil acesso ao local.
O Arquivo Público Municipal não é conhecido apenas por um local onde se guarda documentos antigos, mas também por guardar peças consideradas relíquias. Moradores mais antigos da região contam histórias sobre os escravos que lá viviam na época e contam ainda sobre os seus costumes e crenças.
Lá se encontra os restos mortais da guerreira Benta Pereira, uma mulher que se tornou conhecida por invadir a câmara de vereadores em plena assembléia. Ela se tornou amada pelos pobres e odiada pelos ricos, pois ela sempre lutou a favor dos fracos e oprimidos.
Arquivo Público Municipal – um verdadeiro patrimônio histórico que um dia será reconhecido e admirado por todos! Quem tiver a oportunidade de conhecer esse lugar se impressionará com tamanha riqueza, beleza e com certeza irá adquirir enorme conhecimento sobre a história de nossa cidade.

Texto de Michelle de Azevedo aluna do 3º período de comunicação social

A vitória de uma vida

Na realidade brasileira poucos são os que conseguem concretizar o sonho de cursar uma faculdade. O fator econômico é um dos muitos empecilhos que contribuem para o distanciamento da Universidade. A Priscila da Silva Moço deparou-se com essa verdade, mas nunca desistiu.
A luta dessa menina começara antes mesmo de sonhar como seria o seu futuro. Filha de pais que sempre buscaram a superação das adversidades, assim como a maioria dos brasileiros que lutam pela sua subsistência, ela nunca reclamou da vida, com garra e muita força de vontade buscava ultrapassar as barreiras e continuar a sua caminhada.
Em julho de 1999 uma porta abriu-se para essa jovem. O projeto Recreando começara a nascer juntamente com o talento da menina. Com o objetivo de dar uma oportunidade às crianças carentes matriculadas em escolas da rede pública, o projeto custeado pelo Estado, começou a desenvolver-se oferecendo aulas de futsal, natação e ballet, além disso, há uma preocupação com outras necessidades das crianças que participam, dando por isso uma assistência social com a promoção de palestras educativas, encaminhamento à médicos, à dentistas, à psicólogos, distribuição de cesta básica, uniformes para as atividades, além do incentivo ao esporte em que patrocinam a hospedagem, a alimentação, os gastos com a participação dos campeonatos.
Uma das primeiras crianças a serem beneficiadas com o projeto, Priscila passou a ter aulas de ballet, natação e futsal. Em 2000 iniciou-se a modalidade de karatê, mas por receio ela não se matriculou. Com o incentivo do seu primo e do mestre de karatê, decidiu assistir uma aula e daí por diante não saiu mais. Teve que enfrentar a resistência do seu pai, em não deixá-la freqüentar as aulas; no primeiro ano ele apenas reclamava, por achar que luta é esporte para homem, acreditava que sua filha desistiria, mas não foi isso que aconteceu. Percebendo que a menina estava se dedicando cada vez mais, acabou deixando o preconceito falar mais alto e a proibiu de praticar karatê.
Foram muitas dificuldades, mas Priscila empenhada no seu objetivo continuou a freqüentar as aulas de karatê. Com a ajuda da mãe e da tia, que não concordavam com a atitude do pai, a lutadora ia escondida para as aulas de arte marcial e assim ficou durante um ano. Ao descobrir, o seu pai, repensou a atitude que havia tomado e vendo que não teria solução, acabou se conformando com a vontade da filha.
Após essa difícil etapa da sua vida, Priscila, a lutadora, começou a trilhar a saga vitoriosa. No seu primeiro exame de faixa, veio à ratificação de sua dedicação, o seu resultado foi tão maravilhoso que ao invés de passar da faixa branca para a amarela, como seria o normal, pulou a amarela e já passou para a faixa vermelha. Participou de muitos campeonatos e entre tantas vitórias, a vitoriosa destaca o seu primeiro campeonato – Campeonato Intermunicipal – no qual ficou em segundo lugar na sua categoria e o Campeonato Brasileiro de Karatê em 2002 que ganhou em primeiro lugar no kumitê (luta com adversário) e em segundo lugar no kata (“luta imaginária”).
A lutadora vitoriosa foi crescendo em concomitância com o projeto. Hoje, além do núcleo situado na UENF, existem ao todo vinte e um núcleos espalhados nas diversas localidades do Município de Campos dos Goytacazes como Tocos, Goytacazes, Conselheiro Josino, Guarus, Parque Aurora..., em que oferecem diversas atividades (aula de Canto Coral, Teatro, Informática, Street Dance, Inglês , Flauta, Violão, Reforço Escolar, Ginástica Acrobática, Artesanato, além de vários esportes).
O projeto ajuda os alunos que se destacam através de uma bolsa de apoio e em troca o aluno torna-se monitor do professor da atividade que pratica. Em 2004 Priscila passa a ser monitora. Em 2005 torna-se referência do projeto, já que recebeu a faixa preta, sendo a primeira aluna do projeto a recebê-la. Em 2006 passou a ser a primeira aluna que se tornou professora do projeto; no núcleo da FENORTE ela dá aula para cem alunos entre sete e dezessete anos de idade e no núcleo da Estácio de Sá tem sessenta alunos nessa mesma faixa etária.
Com tantas vitórias em sua vida, Priscila ainda via-se na parcela da sociedade que almeja profissionalizar-se, porém não consegue pagar a faculdade que deseja estudar. O salário que recebe do projeto não dá para ela pagar a faculdade de Educação Física.
Ao ficar sabendo da dificuldade financeira que tem para cursar a faculdade, o idealizador do projeto – Carlos Boynar, conseguiu uma bolsa de 70% na faculdade de Educação Física e o restante a mesma paga com o salário recebido do trabalho prestado ao projeto.
Esse é o resultado do talento, da dedicação, do esforço, da força de vontade que a lutadora vitoriosa teve durante sua trajetória. Ela conseguiu transformar o nada em tudo, não ficou de braços cruzados reclamando da vida, foi à luta e conseguiu alcançar o que para muitos é uma realidade inviável. Atualmente, com dezoito anos de idade, cursa o terceiro período da faculdade e continua participando do projeto que lhe deu impulso para tornar-se mestre em karatê; tem esse vínculo para servir de exemplo para os demais alunos, além de ser ótima professora.
Para finalizar essa lição de vida, Priscila deixa essa mensagem:
“Nunca desista dos seus sonhos. Você irá encontrar muitos obstáculos, mas sempre encontrará pessoas boas que irão te ajudar. O mais importante é lutar por aquilo que acredita”.

Texto de Tanisse Bóvio Aluna do terceiro 3º período de Comunicação Social

A experiência virou notícia.

Numa manhã de segunda-feira resolvi ir a casa Irmãos da Solidariedade, alguma coisa me dizia que ali conseguiria minha matéria. Chegando a casa fui me deparando com a realidade e comecei a ficar um pouco apreensiva, não imaginava como era o interior daquele lugar, qual seria a reação daquelas pessoas em receber uma aluna de comunicação que estava em busca de notícia para fazer sua primeira matéria.
Ao chegar, identifiquei-me e levaram-me a sala da Assistente Social, até então, estava com as mãos suando de nervoso, afinal essa era a primeira vez que ia a campo. A assistente social, Solange, foi muito simpática e logo fiquei mais calma, comecei contando qual era minha finalidade, a mesma logo expôs as regras da casa e certamente que aceitei.
Em sua sala, Solange, abriu um desses armários de arquivo, pegou uma pasta, sentou-se à mesa e começou a contar-me diversas histórias, mas nada que fosse “notícia”, nada tão anormal para aquela casa. Quase no final daquela pasta, ela encontrou um papel com a história de M. D., impressionada com a história deste rapaz pedi para conversar com o mesmo e ela me informou que conversaria primeiro com ele, explicaria a situação e se ele quisesse estava tudo bem por ela. Ela sai da sala.
Os minutos pareciam eternos, olhava para todos os cantos da sala, queria que o tempo passasse, mas o relógio na parede não me enganava, estava apreensiva, será que ele vai querer conversar comigo? Bom, de uma coisa tenho certeza: está sendo uma experiência e tanto. Começo a ouvir barulhos, tem gente se aproximando, neste momento fico só imaginando como será M. D.? De repente, a porta se abre, olho pra trás e entra a assistente social empurrando uma cadeira de rodas.
Inicialmente, fiquei perplexa, mas aos poucos minha expressão foi mudando, comecei a me acostumar com o ambiente, ganhei segurança e comecei a fazer minhas perguntas. Para entender o que M. D. estava falando ou se expressando foi difícil, mas com a ajuda da Assistente Social fui entendo e tornei-me independente. Emocionado M. D. começa a contar sua história.
M. D. descobriu em 2000 que era Soro Positivo, contraiu a doença através de seringas que compartilhava com seus amigos quando usava drogas. Ele não sabe exatamente quem passou essa doença, como também não sabe quando pegou e nem para quantas pessoas passou. Desde então, o IPEC (Instituto de Pesquisa Evandro Chagas) acompanhou seu quadro.
“Apesar de alguns elementos da minha família estarem sofrendo e outros se afastando, minha vida continuava a mesma, pois já tinha aceitado o fato de ter o vírus HIV”, afirma M. D..
Quando tudo parecia estável, em 2002, M. D. apresentou o quadro de Neurotoxoplasmose, causando lesão cerebral e criando uma massa no cérebro. Começou a piorar, ficar frágil.
Para agravar ainda mais seu caso, em 2004, ele teve uma paralisia, pelo fato de usar drogas e ficou impossibilitado de andar e falar, o que deixou M. D. emocionalmente muito abalado.
Foi encaminhado pela Associação Maria de Magdala, que abriga pacientes de HIV em fase terminal, para esta casa em 16.02.06 e foi muito bem recebido, seus novos amigos sempre estão dando uma “força”, tem acompanhamento constante de fisioterapeuta, fonodiólogo, psicólogo, enfermeiros, entre outros profissionais. Além disso, sempre que pode sua tia vem lhe visitar. Enquanto sua mãe encontra-se emocionalmente fragilizada, por isso ainda não veio.
“Hoje, após três meses, vejo a diferença de como cheguei, totalmente debilitado aqui e como você mesmo pode observar, consigo falar com dificuldade, tenho certeza que logo, logo sairei da cadeira de rodas e passarei para o andador, participo das atividades da equipe multidisciplinar, participo (ainda que lentamente) das terapias ocupacionais, portanto estou resgatando ainda que de pouco a pouco a minha independência”, disse M. D..
“A Casa Irmãos da Solidariedade tem um papel muito importante não só em minha vida, mas na de todos os pacientes que moram aqui. Ela tende a consolidar a cidadania de todos os pacientes, garantindo os direitos sociais, resgatando a auto-estima e buscando a melhor qualidade de vida”, afirma M. D..
Essa foi à história de superação e esperança de M. D. na qual desde o início me chamou atenção e escolhi para ser minha primeira matéria. Com certeza, o fato de ter ido a campo e vivenciado todo o processo, valeu a pena.
A conversa que tive com a assistente social foi bastante produtiva, tirei várias dúvidas, aprendi mais sobre a AIDS e as pessoas que tem essa doença, conheci o Projeto da Casa Irmãos da Solidariedade, conheci M. D. e emocionei-me diversas vezes com sua história, fiquei surpreendida com a força que esse rapaz tem, a vontade de viver, de superar todos os obstáculos da doença e de sua vida familiar e enfim, consegui fazer minha matéria.



Texto de Rafaella Barros aluna do 3º período de comunicação social

Público X Privado

Acreditar na igualdade entre as pessoas é um tanto utópico. Todos sabem e têm consciência da divisão de patamar que o capitalismo cria, aliás, que criou desde a sua chegada. Mas isso seria apenas a base de mais um dentre muitos problemas da sociedade. Problemas que na maioria das vezes estão estampados pra quem quiser ver outras escondidas por “debaixo de panos”.
O que falar da saúde pública que o nosso país oferece?
E a saúde privada? É mesmo um “mar de rosas?”.
Um médico muito conceituado, atarefado, cansado, trabalha dias e noites para conseguir se manter. Horas em hospitais públicos, horas em particulares.
Para ele, é uma imensa gratificação poder ajudar pessoas que têm mais dificuldades, que são fragilizadas e humilhadas pela falta de dinheiro.
E a ele parece que essas mesmas pessoas são menos rudes, mais calorosas. Por isso o prazer em cuidar delas. Mas com o prazer também percorre a realidade do baixo salário oferecido pela rede pública. Desestimulo esse que é um dos motivos da precariedade, desde a limpeza a parte técnica desses hospitais.
Outro motivo seria o enorme e o pequeno espaço ao mesmo tempo. É um espaço muito grande para ser mantido limpo, e pequeno para atender a todos em um tempo curto.
A vantagem de uma instituição particular é a organização, nem que seja aparentemente, e na maioria das vezes é. Você entra e logo sente um cheirinho bom, tudo limpo e bonito, mas como disse no inicio, a sujeira está bem escondida. Uma pessoa como eu, por exemplo, que trabalha em um hospital que tem dois setores (público e particular) pode perceber de perto a discriminação sofrida pela “baixa classe”. Pra começar, a parte bonita nem preciso dizer qual é. É onde estão às flores, a entrada principal, os melhores quartos. A outra fica na parte dos fundos, é lógico, bem escondida.
A população, nem sempre cumpre, mas na maioria das vezes tem consciência de que deve lutar pelos seus direitos.
Deveria - se ter a preocupação também de não se deixar humilhar por nenhum órgão - seja ele público ou particular - por ser pobre, classe média, classe baixa. Porque antes de tudo deve ser exigir o respeito.

Texto de Priscilla Vigneron aluna do 3º período de comunicação social

Uma vida, uma ideologia.

Diversos questionamentos surgem quando o assunto tratado é relacionado a uma determinada ideologia.
Afinal, são muitos os que se manifestam no mundo que pregam estarem dispostos a trabalhar voluntariamente em busca de benefícios para uma determinada classe.
Assim acontece com o movimento estudantil, pois ainda restam muitas dúvidas sobre o porque de algumas pessoas dedicarem grande parte do seu tempo e suor para lutar por uma causa de interesse coletivo.
Para tentar esclarecer algumas questões resolvi investigar a história de uma pessoa com uma realidade muito próxima da minha e tentar entender o real motivo pelo qual se entrega diariamente ao trabalho voluntário mesmo com tantas outras ocupações.
Devido a não disponibilidade de instituições educacionais no município de Macaé, Fabiano Paschoal, hoje com 28 anos, enfrentou viagens diárias extremamente cansativas com destino ao município de Campos dos Goytacazes para cursar Direito.
Segundo ele, após trabalhar cinco anos na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) decidiu tornar-se graduado a fim de obter melhor retorno financeiro com a profissão.
Mesmo determinado, o mesmo declarou ter dificuldades para entrar na Faculdade de Direito de Campos, tentou o vestibular duas vezes e somente conseguiu depois de fazer cursinho pré-vestibular.
Além do cansaço proveniente do deslocamento, Fabiano encontrou pelo caminho muitas pedras que quase o fizeram pensar em desistir. Tinha muita dificuldade financeira, trabalhava durante o dia e dependia da compreensão da chefia para sair cedo e ir para a faculdade, e ainda tinha que se submeter a atitudes injustas de professores arbitrários que não compreendiam a sua situação, mas tudo isso não o subestimou.
Ao se tornar universitário teve que pagar as mensalidades do curso e tinha que custear também o transporte intermunicipal naquela época administrado pela ASSESSMAC (Associação dos Estudantes Macaenses). Então, para diminuir os problemas financeiros, viu como solução entrar na diretoria para trabalhar nos ônibus e se tornar isento da taxa de oitenta reais mensais.
Naquela época, parte dos ônibus eram fornecidos pela prefeitura e outra era custeada pela entidade, porém, os ônibus eram muito precários, quebravam muito na estrada, as empresas não cumpriam os horários e também faltavam. Isso gerava uma enorme insatisfação e revolta dos estudantes, pois perdiam aulas e provas chegando atrasados, para organizar isso tudo requeria muita paciência e dedicação.
Outrossim, existiam muitas atitudes da presidência que Fabiano não concordava. A cobrança era realizada pelos coordenadores através de talões com o valor da mensalidade, o dinheiro era repassado para o presidente, porém, toda essa quantia não tinha fiscalização e por isso não se sabia qual era o seu destino.
Isso ocorria devido à entidade não ser registrada e não poder ser punida judicialmente, ou seja, não havia controle das contas.
Após seis meses na diretoria, Fabiano saiu e resolveu formar sua própria chapa para concorrer nas próximas eleições. Como de costume, a eleição veio acompanhada de mentiras e traições, a oposição afirmava que todos teriam a mesma atitude de sempre, não importava quem seria a diretoria.
Eleições complicadas, mas fizeram Fabiano assumir a presidência com 84% dos votos dos estudantes.
A primeira exigência foi que a entidade fosse registrada, e posteriormente, muitas outras coisas foram criadas para a melhoria da organização e transparência das contas da entidade.
Uma dessas coisas foi a criação de um conselho fiscal que conferisse as contas, e outra foi a implantação de um sistema de pagamento através de boletos bancários, que confirmou as intenções da nova diretoria.
No começo do mandato, a entidade chegou a acumular uma dívida de 50 mil reais, mas conseguiu se recuperar com uma política de contenção de despesas.
Depois de algum tempo, muita coisa mudou. A diretoria conseguiu com muita luta fazer com que a prefeitura passasse a fornecer quase o total de ônibus necessários, e com isso passou a ser pago somente 10 reais por mês para manter toda a parte burocrática e administrativa da entidade, diminuindo em 87,5% as despesas dos estudantes com transporte.
Foi implantado um sistema de cadastramento on-line, e também foi colocado um coordenador em cada ônibus, garantindo a segurança dos associados com a conferência das carteirinhas diariamente.
Posteriormente, todo esse empenho proporcionou benefícios para os associados, com a criação de convênios com o comércio local, empresas de plano de saúde, academia, seguro de vida, além de organização de viagens turísticas. Isso exigia tempo, mas era feito com trabalho em equipe, apesar da maioria ter seu emprego e ainda estudar em outro município.
Já que havia assumido esse compromisso, Fabiano se dedicou tanto a ponto de se prejudicar na faculdade por causa dos problemas que as empresas de ônibus causavam. Muitas vezes teve que sair no meio da aula porque algum ônibus não tinha passado em alguma faculdade. Quando algum ônibus quebrava na estrada todos ligavam para os celulares disponibilizados pela entidade reclamando, e isso ocorria freqüentemente, até mesmo aos sábados e noites que não iam à faculdade.
Devido a esses problemas, o rendimento de Fabiano na faculdade foi prejudicado e o fez perder em três matérias, causando também um certo dano financeiro, pois continuou pagando mais um semestre.
Conforme afirmado anteriormente, no início seu propósito era a isenção do pagamento das mensalidades, mas depois, com todos os acontecimentos, sentiu muita vontade de tudo aquilo dar certo. Sabia de toda a dificuldade da classe estudantil, acreditava que muitos estavam ali por extrema necessidade, assim como ele.
Por este ideal, e por recomendação de amigos, participou das eleições para a presidência de uma outra entidade estudantil, a UME (União Municipal dos Estudantes), criada em 1999 por um grupo de estudantes que perceberam a desunião da classe estudantil no município. A maior conquista da entidade para os estudantes macaenses, e que perdura até os dias de hoje, foi a conquista do passe livre, o que garantiu o acesso de centenas de jovens às salas de aula.
Com a vitória de Fabiano à presidência da UME, a nova diretoria vem garantindo os direitos da classe e realizando muitos projetos como a organização de eventos que fomentem a leitura, escrita, conscientização política e cultural.
Esteve a frente da ASSESSMAC por três mandatos com aprovação de aproximadamente 90% dos estudantes, até que o que parecia impossível aconteceu. Foi comunicado a Fabiano através de boatos de que a entidade não mais teria o apoio da prefeitura com o fornecimento de ônibus, que a mesma teria criado um segmento próprio que faria toda a organização, inclusive os itinerários.
Infelizmente não era apenas boato, e por fim a entidade não sobreviveu. O lado bom é que esse serviço seria gratuito, sem nenhum custo para o estudante.
Foi informado em reunião realizada algum tempo depois, que o fim da colaboração seria porque a quantidade de dinheiro que era encaminhado para o pagamento dos ônibus não podia ser feito daquela forma, e isso estava implicando no surgimento de problemas nas prestações de contas da prefeitura. Com esse motivo justificou-se a criação do Transporte Social Universitário, que está em atividade atualmente.
De repente, Fabiano viu anos de trabalho escorrendo entre seus dedos, mas não pôde fazer nada para impedir o falecimento da entidade que lutou tanto para organizar.
Este acontecimento deixou Fabiano muito triste, mas ele vem realizando seus ideais através da UME. Afirma que não se arrepende de nada do que fez e faria tudo novamente, talvez com algumas restrições, mas tem muito orgulho do trabalho que realizou juntamente com sua equipe.
Tem consciência do seu papel perante a sociedade, pois reconhecem que as grandes revoluções históricas mundiais foram mobilizadas pela sociedade estudantil, ou tiveram grande ingerência e apoio destas.
O movimento fora Collor, realizado pelos caras-pintadas que tinha o seu núcleo na classe estudantil é um exemplo nacional e recente de como a sociedade estudantil devidamente organizada pode fazer revolução e escrever e mudar o futuro.
Enfim, Fabiano diz que não sabe exatamente o porquê de ter entrado neste caminho, que o movimento estudantil surgiu em sua vida devido à existência de corrupção em alguns segmentos da sociedade, e ele se sente na obrigação de fazer da extinção o seu papel.


Texto de Lidiane de Oliveira aluna do 3º período de comunicação social

Da mansão ao morro

A oportunidade que tive de poder conhecer a história dessa mulher foi de tamanha experiência para mim. Não esperava que dando crise de bronquite em um hospital, poderia entrar na vida de uma senhora tão especial e contagiante.
Dona Maria Luzia de Carvalho tem perto de 83 anos, nunca havia sido registrada, quando convocou toda a família para o natal. A festa foi o derradeiro momento de alegria e emoção de uma vida dividida em antes e depois da chegada ao morro. Lúcida e bem humorada ela contou com detalhes os momentos mais marcantes de uma vida sofrida, feita de desafios, mas, principalmente, de superações.
“Antes de ir para a Rocinha trabalhei sozinha numa mansão em Ipanema. Eu era arrumadeira, passadeira, cozinheira, além de ter que levar e buscar as crianças no colégio. Minha rotina ia das cinco horas da manha até as onze horas da noite. Mais engraçado na minha cabeça era melhor estar ali do que ficar jogada na rua. Por isso eu nunca reclamava. Quando surgiu a chance de ir para a Rocinha, não pensei duas vezes, fiquei muito feliz com a mudança. As casas de barro lembravam minha terra e os poucos moradores se cumprimentavam e ficavam um na porta do outro. Todo mundo falava comigo, coisa que ninguém fazia quando trabalhava na mansão”.
Carioca de Pirapitinga, pequena cidade na divisa com Minas Gerais, dona Maria chegou ao Rio de Janeiro por volta de 1935 sem um tostão no bolso, registro ou certidão. Vendida pelo pai por um litro de cachaça, ainda adolescente, Maria tinha como destino no Rio uma mansão em Ipanema. Sonhando com uma vida melhor, acordou num pesadelo.
“Quando vim para o Rio minha mãe chorou muito. Nessa época os maridos é que mandavam em casa. Era comum as filhas serem vendidas. Eles decidiam sem pena e não tinha jeito, tudo por causa do dinheiro! Vim para o Rio chorando a viagem inteira. Lembro que foi uma viagem longa e o trem balançava muito”.
Cansada, humilhada e faminta, dona Maria foi recebida por sua futura patroa na estação da Leopoldina, centro do Rio. De lá foi para Ipanema, direto para uma mansão na Prudente de Moraes, só que para o sótão, junto com os cachorros. No dia seguinte, sem ter descansado e com o corpo todo dolorido, dona Maria foi acordada às cinco horas da manha para preparar a mesa do café e aprontar as crianças para a escola. Logo depois veio a faxina. E tudo isso sozinha. Não havia sequer um empregado para ajudá-la.
“Trabalhava sozinha, eu e Deus. Quando cheguei ainda não existia gás, era fogão a lenha! Por ai da pra ver como eu penava. Fora à roupa para lavar, um jardim imenso para limpar, eu ainda passava um roupeiro enorme, meu Deus! As camisas eram brancas e ainda tinha de engomar uma por uma. Quando deitava na cama de noite não tinha tempo nem de pensar, só queria dormir. E não recebia nada por isso. Eles diziam que todo mês mandavam dinheiro pelo correio para a minha família”.
Cansada dos maus tratos, Maria aproveitava os raros momentos em que andava na rua, principalmente quando tinha que levar as crianças na escola, para tentar arrumar emprego em outras casas do bairro. A patroa nunca desconfiou de suas investidas. O encontro com uma mulher na feira livre da praça General Osório mudaria para sempre sua vida. Nesse dia, dona Maria estava recolhendo verduras da xepa para alimentar as galinhas da mansão.
“Além de todas as minhas funções na casa eu ainda tinha que dar comida para as galinhas que ficavam no jardim. Num desses dias veio uma moça falar comigo perguntando por que estava catando aquilo. Respondi que a minha patroa sempre mandava eu catar para dar as galinhas. O apelido dela era Katitu. Ela me perguntou onde eu trabalhava e apontei para a mansão. Me perguntou quantos empregados tinham ali. Respondi que desde que cheguei só tinha eu, e eles nunca chamaram outro, porque dava conta de todo o serviço. Contou que sempre que via a casa ficava imaginando quantos empregados deviam ter pra dar conta de tanto serviço. Ela me alertou, disse que eu estava sendo explorada. Contei tudo sobre a minha vida: como vim pra cá, do meu pai ter me vendido, que eu dormia com os cachorros, que eles nunca deram um dinheiro na minha mão, que não tinha uma folga no final de semana, em fim, desabafei, por que não tinha com quem conversar”.
Revoltada com a historia, Katitu não pensou duas vezes: convidou dona Maria para ser sua hóspede no morro. Dona Maria não podia estar em melhor companhia na Rocinha. Katitu era muito respeitada não só pelos moradores como principalmente pela malandragem da época. Ficava no meio dos malandros de madrugada e ninguém podia se meter com ela, porque eles a defendiam de todo jeito. Era Deus no céu e Katitu na terra, não só para eles como para Maria também.
“Quando fiquei menstruada pela primeira vez estava dentro de um arrozal e achei que tivesse sido mordida por uma sanguessuga. Nunca me disseram que tinha que usar um pano ou esses absorventes de hoje em dia. Minha mãe ficava até com vergonha quando falava disso. Então eu ficava sem nada. Só quando sujava a calça que eu tirava e lavava. Toda a vez era a mesma coisa! Só descobri essas coisas com a Katitu. Ela me explicou tudo e disse o que eu deveria usar. Falou também que era uma coisa muito íntima e que não tinha que ficar dizendo para um e para outro quando estava assim”.
Maria é uma mulher forte. Para ela, seus 83 anos de idade nunca foram um martírio, e sim uma dádiva. Seus filhos, netos e bisnetos têm por ela verdadeira adoração. Como muitos deles foram morar longe da Rocinha, nem sempre ela conseguia reunir toda a família em datas especiais como o natal. Mas em 2002, ela fez questão de convidar todos os familiares e amigos.
Dona Maria não escondia a felicidade e aqueles que não puderam comparecer no dia 24 foram no dia seguinte. Tudo correu bem e à noite ela foi dormir em seu horário habitual. Ate que resolveu morar em um lugar mais tranqüilo, conheceu São João da Barra por causa de sua filha que havia se mudado ao se casar.
Ela é um exemplo de vida e coragem para muita gente. Com sua alegria e suas histórias ela prende a todos. Quem tem o privilégio de conhecer dona Maria pode se considerar uma pessoa de sorte.


Texto de Nathália Pereira aluna do 3º período de comunicação social

Sistema brasileiro de ensino, um modelo falido?

Ensino de qualidade no Brasil é apenas uma promessa eleitoral e não uma realidade. Até quando vamos levar porrada, porrada? Até quando vamos ficar sem fazer nada? Só há uma saída para que possamos nos defender e inibir o mundo de nos dar porrada, porrada, essa saída é exigir, pois nós devemos e é um direito nosso exigir sim, uma educação de qualidade, porém um povo sem educação será um povo sofrido, humilhado e esmagado pelas ambições capitalistas. Imagine todos os brasileiros, sendo formados por um sistema de ensino de qualidade, sem que precisem estudar fora do país, imagine todos os brasileiros qualificados a conseguirem bons empregos, podendo assim oferecer uma vida digna as suas famílias, imagine o Brasil com sua violência reduzida a índices mínimos, pelo fato das pessoas terem uma renda justa e não precisarem cometer crimes, imagine os brasileiros elegendo políticos de qualidade e não corruptos, por não terem que trocar seu voto por uma cesta básica ou um saco de cimento, imagine todas as crianças brasileiras estudando e não trabalhando para ajudar na renda familiar, imagine no Brasil, um sistema de saúde de qualidade e bem equipado, pois teremos um povo capacitado a isso, imagine no Brasil uma distribuição de renda justa, pois teremos um povo educado e não alienado que poderá fazer essas exigências, imagine um Brasil, servindo de modelo a todo o mundo e mostrando a esse mundo que através da educação podemos todos construir um planeta melhor.
Desculpe-me a insistência, mas lhe digo de certeza que a educação é a única saída para um Brasil justo, vamos pegar esse modelo de ensino falido e transformá-lo num modelo de sucesso. A educação brasileira se tornou objeto de comercialização, as instituições privadas viraram fonte de enriquecimento dos tubarões capitalistas e as instituições públicas viraram fonte de enriquecimento de políticos corruptos e gananciosos. Caramba, aonde isso vai parar? Quando que eu, você e todas as pessoas iremos nos unir e expulsar esses monstros das instituições de ensino? Não pensemos, já há muitos teóricos por ai que nada fizeram, vamos agir e tem que ser agora, pois depois pode ser tarde. O ensino brasileiro no seu início era ornamental, se estudava por lazer, depois com a chegada da modernidade houve a necessidade de profissionalizar esse ensino para que as pessoas se enquadrassem nas novas exigências e agora nosso ensino é objeto de enriquecimento.
Para complementar essa discussão sobre o sistema brasileiro de ensino resolvi conversar com um educador e dois educados. Minha primeira conversa foi com a Ana Cristina Alves Barreto, Secretária Municipal de Educação e Cultura de São João da Barra, formada em pedagogia (Magistério e Supervisão) e pós-graduada em planejamento educacional. Nessa conversa lhe fiz duas perguntas a primeira foi a seguinte: Em sua opinião, o sistema brasileiro de ensino é um modelo falido? Ela me respondeu que o sistema brasileiro de ensino não é um modelo falido e que na verdade, a atuação, as propostas e o compromisso dos profissionais habilitados atuantes são diversificados de acordo com a clientela. Que a realidade político-educacional não atinge as exigências por falta de auto-estima, espaço físico adequado, incentivo financeiro e oportunidades ao discente em atualizar-se com material didático diversificado e em fácil acesso para que o homem de hoje seja um grande cidadão participativo do amanhã. Na outra pergunta questionei o que poderia ser feito para melhorar a qualidade do ensino brasileiro e ela me respondeu que essa mudança teria de ser feita em degraus, para que o compromisso futuro com realidades diferentes, clientelas pensantes e cooperadoras do processo político pedagógico venham ser atuantes, precisamos de mais empenho dos profissionais envolvidos no cotidiano educacional e repensarmos com urgência a organização do trabalho escolar, discutindo os avanços educacionais e tentando melhoria na qualidade de ensino. Assim, em contrapartida, as instituições comprometidas em capacitar esses profissionais devem ter condições adequadas para que tal procedimento aconteça e que, além disso, precisamos de mais investimento financeiro, valorizando satisfatoriamente cada profissional que espera o sucesso na transformação do cidadão e a Ana Cristina encerrou a nossa conversa com a frase “A educação, ainda, é a solução”. Após a minha conversa com Ana Cristina, bati um papo gostoso com a universitária Laiz Kropf, de 19 anos, que cursa o 4º período do curso de Ciências Biológicas e as perguntas que fiz a ela foram as mesmas que fiz a Secretária Municipal de Educação e Cultura de São João da Barra e a universitária Laiz Kropf em uma única resposta respondeu as duas perguntas, ela me disse que nosso atual sistema de ensino está falido, pois foi desenvolvido baseado numa estrutura toda preocupada apenas com o capital e o lucro, que esse sistema não foi criado para educar e sim para explorar, explorar financeiramente os alunos e que para mudar essa situação é simples, devemos expulsar toda a corja política corrupta que suga as verbas das instituições públicas de ensino e tomar as instituições privadas de ensino das mãos dos capitalistas e entregá-las ao poder público, mas com todos os políticos corruptos expulsos desse poder. Também conversei com Eduardo Henriques que está cursando o 1º ano do ensino médio, foram feitas as mesmas perguntas anteriores e o Eduardo me respondeu que infelizmente nosso sistema de ensino está falido, devido à má administração por parte dos responsáveis por esse ensino e que para melhorar a qualidade do nosso ensino temos que o país tem que capacitar melhor e os professores e pagar salários dignos e não humilhantes como os atuais.
Em uma pesquisa pela internet, achei uma colocação muito inteligente sobre as exigências para a qualidade do ensino brasileiro da Heloisa Lück, Doutora em Educação, pela Columbia University, em New York, Professora do Curso de Mestrado em Educação da PUC-PR, Diretora Educacional do Centro de Desenvolvimento Humano Aplicado, em Curitiba no qual a mesma diz que Quem assume um trabalho como profissional da educação, adota, como princípio de ação, um compromisso social. Este não é um campo de trabalho como qualquer outro. Ele demanda do seu profissional o comprometimento com os resultados sociais de seu trabalho, que é a formação de seus alunos para serem cidadãos plenos na sociedade contemporânea. Tal fato coloca todos nós professores diante da premência de estarmos continuamente nos atualizando em relação aos desenvolvimentos de todas as áreas deste nosso mutante mundo, assim como aperfeiçoando cada vez mais nossas habilidades no trato com seres humanos em formação e com pessoas em geral, o que por si só exige de nós contínua atenção e reformulação de nosso modo de ser e de fazer.
A questão é um desafio que torna imprescindível e urgente agir sobre ela, haja visto que na sociedade do conhecimento, a educação não corresponde a uma legitimação de posição e muito menos é um ornamento. Ou ela torna a pessoa capaz de atuar competentemente em seu mundo, ou ela é ineficaz.
Concluo esse texto certo de uma coisa, que se quisermos um país melhor isso só será possível através da educação, se proporcionarmos uma educação de qualidade as novas e futuras gerações.


Texto de Leonardo Constant, 3º período do curso de Comunicação Social.

A comovente história de Luma

Até aonde vai o limite de um repórter? Como conter suas emoções? São muitas as perguntas ao nos depararmos com situações tristes e complicadas que vêm a sua mente quando é necessário entrevistar um pai de família para saber da situação de sua filha doente.
Passei por muitas dificuldades até chegar à casa da Luma, mas minha coragem superou todos os obstáculos naquela terça-feira. Foi uma hora imprópria, pois a menina estava se alimentando, mas com toda minha vontade retornei a sua casa com o coração disparado e não tive como me conter diante de tanta emoção.

Vida dolorosa

Luma é uma criança de apenas nove anos e, ao invés de estar estudando e brincando, está em cima de uma maca, lugar onde tem passado seus últimos dias depois do trágico acidente, dia em que o pesadelo começara.
Sua diversão é apenas um som e uma tv, pois não tem acesso a outros meios devido a sua imobilidade.
Essa criança sofreu acidente na volta de uma visita a sua avó. O caminhão bateu no carro em que estava toda sua família e um amigo que dirigia o automóvel. Helena mãe da menina sofreu uma escoriação no joelho. O motorista Antônio Félix tentou tirar o carro da tragédia a todo custo, segundo Luciano, pai da menina, que acrescentou dizendo “Era o mínimo que ele podia fazer”.O motorista morreu na hora e o pai da Luma, que sofreu um sério trauma no braço direito, diz sentir muito a morte do amigo, apesar da família dele nunca ter ido visitar a criança.
A linda menina perdeu massa encefálica, ficando com uma cavidade tão profunda que foi necessário preencher com uma bolsa d`água, que serve apenas para a estética, para não impressionar as pessoas que a visitam.

Vergonha de criança

Luma sentiu-se envergonhada ao escutar a voz de uma amiguinha da escola, Natália Torres, virando seu rosto para outro lado e chorando, sem lágrimas, como demonstração de vergonha, pois tem consciência de que não é mais a mesma fisicamente.
O pior é uma criança com sonhos, a serem realizados ao longo de sua vida, sendo interrompidos, sem ao menos poder falar e expressar seus sentimentos mais profundos e mais superficiais, pois apesar de não ter expressão, ela sabe tudo o que se passa a sua volta e das suas necessidades, aquelas que passou a ter ao sair do útero de sua mãe.
A mãe, Helena, ainda sente-se muito abalada com tudo. Passa seus dias ajudando o pai da menina, saindo para comprar algo e fazendo as tarefas da casa, pois o pai não pode sair do lado da Luma por muito tempo. Contou-me que ele é essencial na vida de sua filha, e, por ser mãe, acaba sendo mais frágil, senta-se ao lado da Luma e canta, como se ela fosse um bebê e essa fosse a única coisa a fazer.

“Minha vida é a Luma”

O pai da Luma cuida dela 24 horas por dia, tanto pelo amor a sua filha, quanto pela preferência da menina pelo pai. Ela só aceita a figura paterna para alimentá-la, dar banho, trocar sua fralda, fazer nebulização, enfim, dar conta de todas as suas necessidades.
O gasto com a criança é muito alto. Luciano é analfabeto. Vivia dos bicos que fazia com serviços pesados e atualmente vive das doações de quem se mobilizou a ajudar sua família. Com o problema no braço também fica impedido de trabalhar, mas em momento algum se queixou desse problema, dizendo apenas que entre o trabalho e sua filha, fica com ela.
Qualquer pai como ele ficaria, pois é nítido seu amor, seu carinho e sua dedicação para com a menina. “Antes de tudo isso, a Luma me acompanhava aonde eu ia e eu sempre a levava ao barbeiro comigo, como agora ela não pode ir, ligo para que ele venha até a minha casa e corto cabelo ao lado dela”, diz Luciano. E acrescenta dizendo: “Meu dia é a Luma, minha diversão é a Luma, minha vida é a Luma”.
Para ele não adianta querer que sua filha volte ao que era antes, pois tem plena consciência da situação, apenas faz de tudo para que ela melhore a cada dia com a ajuda dos voluntários em fonoaudióloga, fisioterapia e psicologia. Foi a psicóloga quem doou a tv de vinte e nove polegadas, pois Luma não estava conseguindo enxergar numa menor.

Balde de água fria

Logo depois do acidente as pessoas ajudaram a família com freqüência, mas agora vem o apelo para que essas ajudas não parem conforme está acontecendo. Como disse Luciano: “A história da minha filha continua”.E ainda diz preferir ganhar um real todo dia a um milhão de uma vez só de pessoas desconhecidas, mostrando sua satisfação com as visitas que são feitas a sua casa. “Não quero nada pra mim, mas preciso de ajuda para manter a Luma salva”.
A escola, a prefeitura e as igrejas ajudaram bastante doando cadeira de rodas, fraldas, alguns remédios, entre outras coisas. Mas ainda existem outras coisas a serem doadas, como uma simples maçã, os remédios que a prefeitura não doa, verduras, soro fisiológico e sentimentos como amor, dedicação, carinho e todos os bons sentimentos que um ser humano pode ter e doar.
O nebulizador doado pelo fórum havia queimado e com a chegada do frio, Luma está necessitando de seis nebulizações ao dia, pois tem ficado gripada com freqüência e está usando um aparelho emprestado.
Não pude me conter diante de tanta dificuldade, fiquei entusiasmada em ajudá-la, sentia que minha vida mudara a partir dali, tendo obrigação de fazer o mínimo por aquela família.
O funcionário público, Diego Pereira Rangel, mobilizou-se com a história que contei a ele e se dispôs a ajudar, doando um nebulizador novo, metade de seus problemas se resolveriam com esse novo aparelho, segundo Luciano.
Voltamos a casa da Luma para entregar o aparelho. Ensinamos ao pai como usar e, na hora de irmos embora, Luciano abaixou a cabeça e chorou muito, agradecendo o que eu estava fazendo por ele.


Cidadania

Por muitas vezes, nos deparamos com situações como essa e nem ao menos damos nossa atenção e isso é o mínimo. Não é necessário ajudar com dinheiro, mas é extremamente essencial ajudar com caridade.
Essa família está fragilizada, pois atualmente têm sua filha de nove anos, que era uma criança normal, em cima de uma maca, não de uma cama, que não fala, não grita, não brinca, não escreve e nem estuda, mas que não perdeu seus sentimentos de criança, apesar de não poder satisfazer seus antigos desejos, limitando suas possíveis vontades em escutar música e assistir desenho na tv, além de ter seus remédios para não piorar.
A solidariedade é um exercício de cidadania muito importante e o pouco que se faz é essencial para a construção de um mundo melhor. Para isso é necessário ter sensibilidade. Não culpar órgãos públicos e fazer sua parte. Pois todos nós somos responsáveis pela cidadania. Vermos esse problema como sendo nosso, porque nada sabemos do nosso futuro.
Os limites de um repórter? Ainda não posso responder, pois como estudante do 3º período de comunicação social, sinto-me honrada em ter feito minha parte e ter dado minha contribuição. Posso dizer que é praticamente impossível não se comover com histórias tristes como essa, mas é muito possível sentir-se melhor ao ajudar.

Texto de Larissa Torres aluna do 3º período comunicação social

"Gabriela, eh...meus camaradas!"

Era domingo e eu estava cansada, trabalhara até tarde no dia anterior (rotina de recepcionista de salão de beleza não é fácil), mas apesar disso levantei, pois a ansiedade era bem maior que o cansaço, afinal de contas era minha primeira matéria! Arrumei-me e saí, o dia estava fabuloso, sol, céu limpinho e temperatura agradável. Achei que não iria conseguir conversar com a mãe da Gabriela, nossos horários não coincidam, só tínhamos mesmo o domingo e apesar de saber que provavelmente seria um grande incomodo, insisti e ela, muito gentil, concordou.
Cheguei por volta das 11h00min horas da manhã e fui atendida por dois meninos, um aparentava ter uns oito ou nove anos de idade o outro, bem mais novo, uns três ou quatro anos, logo depois chegou a Andréa, mãe deles e da Gabriela.
Entrei e ao chegar até a sala eu a vi! Estava na cadeira de rodas e segurava um pequeno violão azul (é uma apreciadora da boa música principalmente se tocada ao violão), a mãe me explicara que a menina estava com sono por isso aparentava certo desânimo, sentamos para conversar enquanto os dois meninos brincavam ao nosso redor.
Gabriela nasceu com uma lesão congênita denominada MIELOMENINGOCELE ou ESPINHA BÍFIDA, esse tipo de lesão ocorre no primeiro mês de gestação, geralmente antes de a mulher perceber que está grávida, onde há uma falha no fechamento ósseo da coluna vertebral deixando exposta a medula espinhal podendo ocorrer nas regiões torácica ou lombar (que era o caso da Gabriela), crianças com esse tipo de problema perdem os movimentos dos membros inferiores. A mãe que fora acompanhada pelo médico da família teve uma gravidez tranqüila sem qualquer tipo de complicação que a fizesse desconfiar de algo errado, junto com o marido Gil aguardava com ansiedade a chegada do primogênito que viera a nascer no dia do primeiro aniversário de casamento do casal, estranhou a movimentação das enfermeiras dentro da sala de parto, que andavam de um lado para o outro e não levaram o bebê para que ela pudesse vê-lo como se faz normalmente. Só depois quando já estava no quarto, a família lhe contou o que estava acontecendo.
O bebê passou por um processo cirúrgico delicado para fechar o local da lesão, passados poucos dias veio a apresentar um quadro de HIDROCEFALIA, o que já é esperado em casos como esse.

*O que é HIDROCEFALIA?
Bem, temos uns espaços dentro do nosso cérebro chamados de ventrículos, esses espaços são preenchidos por um líquido chamado LÍQUIDO CEFALORAQUIDIANO ou LIQUOR ou ainda LCR que circula do cérebro (onde é produzido) para a medula espinhal (dentro da coluna vertebral) sendo absorvido pela circulação sanguínea, é como se fosse o sistema circulatório só que ao invés de sangue temos o LCR. Com a má absorção do LCR pelo organismo causada por uma obstrução da passagem, como aconteceu com a cirurgia da Gabriela, há um excesso de produção do mesmo comprimindo o cérebro contra os ossos cranianos e quando se trata de um bebê, que ainda não tem os ossos rígidos e definidos provoca um alargamento do crânio.
A Gabriela passara por um outro processo cirúrgico que visava a retirada deste excesso de LCR através de uma válvula acoplada a um tubo de silicone flexível drenando-o, ainda assim era um bebê esperto, sorridente e atento dentro de suas limitações. Aos dez meses de idade e depois de 14 cirurgias, teve rejeição a última válvula implantada ocasionando uma inflamação das meninges, membranas que cobrem o cérebro, em outras palavras MENINGITE, tendo que fazer mais uma cirurgia desta vez para a retirada da válvula. Na época a cidade não dispunha dos recursos médicos necessários para a sua recuperação e ela teve que ser transferida para um hospital no Rio de Janeiro. Saiu de Campos, acompanhada pela mãe que abandonou o emprego para cuidar da filha, numa ambulância emprestada por um vereador e ficou internada por mais de dois meses, chegando a comemorar seu primeiro aniversário entre médicos, enfermeiras e alguns familiares.
Foi um período difícil, os pais não tendo condições financeiras para cobrir os gastos com a saúde da menina, puderam contar com um familiar que sendo funcionário da PETROBRÁS se dispôs a receber a guarda da menina e colocá-la como sua dependente para que não lhe faltasse a assistência médica necessária.
Segundo Andréa, ao deixar a cidade para tratar a filha, fora desenganada pelo médico que cuidava da menina, mas nem ela e nem o marido perderam as esperanças. A Gabriela voltou, não estava como antes devido a seqüelas deixadas pela meningite, agora era uma criança alheia.
“Não sei se ela reconhece alguém, achamos que sim, ela sorri muito quando vê a avó materna...” diz Andréa referindo-se a sua mãe Enizete, que está sempre junto com elas, “... toda a família ajuda muito, mas a minha mãe está sempre conosco”.O irmão também contou que certa vez numa festa em sua casa a menina estava sentada na sala quando o pai passou direto por ela sem olhar, as pessoas repararam que ela começou a chorar e deduziram que o motivo foi o fato do pai não ter olhado. Chamaram-no e depois de um abraço carinhoso e um pedido de desculpas a Gabriela parou de chorar e ficou mais tranqüila.
Foram 15 cirurgias em menos de um ano de vida, não foi colocada outra válvula e já se passaram 15 anos desde que tudo começou, 15 anos! A família aumentou Andréa conta que teve receio de engravidar novamente, não por medo de que acontecesse tudo de novo, mas sim por achar que não daria conta de duas crianças já que a Gabriela precisava de muitos cuidados, fora aconselhada a tentar para que tivesse uma outra experiência e não vivesse só envolvida com as limitações que traziam o estado de saúde da filha. O Bruno nasceu saudável e posso dizer-lhes que se trata de um pequeno intelectual, sua sensibilidade é nítida e o amor que nutre pela irmã é mais nítida ainda.
“Minha mãe me explicou que a Gabriela é assim porque Deus quis que fosse e Ele também quis que a gente tomasse conta dela”. Diz ele que aos nove anos de idade repete sempre a mesma explicação para o irmão menor, Gabriel de 4 anos, quando este chora por querer que a irmã converse com ele. “Às vezes ele pergunta se deve tratar a irmã como criança ou como adolescente, já que ela fez 15 anos e eu digo que é como criança por causa dos problemas de saúde dela”.Conta a mãe.
Andréa acha que o que mantém a filha viva é o amor que lhe é dedicado por toda família, “Ela vive de amor, depois de tudo pelo que passou depois de todas as recaídas ela está aqui viva e é uma menina muito tranqüila, me dá menos trabalho que o outro dois”. Conta ainda que no começo ficava se perguntando o porque que isso acontecera com eles procurando por respostas em várias religiões, depois percebeu que seu problema não era o único e por muitas vezes notou ser menor que o de outras mães e viu que sua filha não era um caso isolado. Resignou-se e junto com o marido leva uma vida normal, hoje em dia trabalha fora e conta sempre com a ajuda da família e da sua secretária do lar, “Graças a Deus, sempre tive secretárias ótimas, foram poucas que ficavam por longos períodos e se uma ia embora logo aparecia outra, sempre pessoas muito boas e de confiança”.A mãe ainda conta que a filha tem uma vida social agitada participando das festas em família, se recebem convites para festas de aniversário infantis, estando bem disposta, a Gabriela sempre comparece de roupa nova e tudo mais que tem direito. Diz brincando também que o gosto da filha pelo violão foi herdado de uma tia avó que sempre tocou muito bem e que quando está animada a menina segura o pequeno violão de brinquedo e toca com o nariz.
Cheguei até a Gabriela por meio de um convite enviado à minha casa convidando-nos para a missa em comemoração ao seu aniversário de 15 anos.
O convite dizia: “Música é fonte de vida! Vamos cantar e celebrar os quinze anos de Gabriela” e um pequeno lembrete: “Meu presente: uma lata de leite em pó, oferecida à Toca do Assis e ao Grupo Espírita Joanna D’arc.”
Confesso que fiquei curiosa para saber porque minha mãe ficara tão emocionada ao receber o convite, foi quando ela me contou tudo sabia a respeito.
A missa foi linda e os depoimentos dados pela família foram muito emocionantes, mas para mim nada se igualou ao depoimento do irmão do meio, “Eu agradeci né por todos estarem lá comemorando o aniversário de casamento do meu pai e da minha mãe e por estarem também comemorando os quinze anos da minha irmã que tem esse probleminha, mas todos nós amamos muito ela. Aí né eu cantei aquela música pra ela, não sei se você conhece: Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer, o como grande o meu amor por você... Cantei toda, sozinho tia.” Me disse o Bruno todo orgulhoso.
E eu a essa altura do campeonato, depois de tudo que vi e ouvi, engoli a seco o choro, afinal de contas tinha que ser profissional. Deixei para chorar no caminho de volta para casa.
Não queria ser piegas, mas isso é uma lição de vida, pois são poucos os casos em que uma criança com todos esses problemas apresentados sobrevive por tanto tempo sem a ajuda da válvula de drenagem, por mais que tenha algumas recaídas a Gabriela sempre se recupera.
Apesar de nunca ter visto a Gaby antes, perguntei a mãe se ela tinha sempre aquele olhar perdido e ela me disse que na maioria das vezes sim, então achei que era normal no estado dela, mais tarde recebo um telefonema da avó me contando que a menina teve uma convulsão e que a mãe saiu ás pressas para socorrê-la, seu desânimo naquele domingo era o início da crise. Mas graças a Deus ela já esta bem e eu estou encantada com ela.

Texto de Rosana Medeiros aluna do 3º periodo de comunicação social